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A primeira entrevista a gente nunca (vai) esquece (r).

26 de abril de 2012

O que começou como uma idéia maluca, acabou rendendo uma experiência fantástica que gostaria de compartilhar com vocês..

Pensem em alguém nervoso? Esse era eu no dia em que fui conversar com o Almir Sater. Cheguei as 17h do dia do show e conversei com o produtor dele sobre a possibilidade de fazer a entrevista (lembram da aula de Teoria da comunicação? Teoria das Relações Sociais lembram?) e para minha sorte, com um pouco de relutância – talvez só para valorizar a coisa- me permitiu falar com ele após a passagem do som. Acabada a passagem de som, vejo o Almir saindo para o elevador e o produtor que estava ao meu lado se levanta sem falar nada. Fiquei numa baita dúvida se ele havia esquecido de mim ou me ignorado, mas seja lá o que fosse, peguei minha sacola e os segui, silencioso, mas me fazendo notar.

Subi até o camarim, interpelei mais uma vez o produtor e então ele entrou no camarim para conversar com o Almir. Levou poucos segundos para ele sair e me dar a resposta, mas esses segundos pareceram levar muito mais tempo. Logo a porta se abre e ele pede que eu entre.

No camarim estava o Almir Sater com seu clássico chapéu e um sorriso largo no rosto. Me recebeu e pediu que eu puxasse a cadeira para conversarmos. Eu tremia e estava morrendo de vergonha, então achei por bem me desculpar com ele pelo meu “amadorismo” e dizer que eu estava “nervoso para burro”. De uma humildade ímpar, disse que eu deveria me despreocupar e ficar tranquilo que só iríamos bater um papo.

A conversa que levou pouco mais de 10 minutos meio que acabou deixando de ser uma entrevista para virar um bate papo onde logo me senti a vontade como se fossemos amigos de longa data. Terminado isso, se despediu de mim, dizendo que estava surpreso por eu ter estudado realmente sobre a carreira dele e que esperava que eu gostasse do show dele.

De tudo isso, aprendi algumas coisas que acho extremamente válidas e gostaria de passar aqui para vocês:

1 – Sejam ousados e fiquem no pé das pessoas que vocês querem falar.

2- Não fiquem nervosos, porque mesmo a pessoa sendo famosa, ela ainda é uma pessoa como você e dá mesma forma que você depende dela para ter notícia, ela depende de você para ser notícia.

3- Estudem sobre a pessoa em questão, saibam tudo o que puderem sobre ela,

4- Mesmo que a entrevista vire um bate-papo descontraído, lembrem-se de não falar gírias e coisas do tipo. Mesmo que o entrevistado não se incomode, quando você ouvir a gravação se sentirá o maior paspalho…

Enfim, espero que gostem.

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Em um show que praticamente lotou o ginásio do Sesc, em Santos, no último dia 7, Almir Saterconcedeu essa entrevista exclusiva ao estudante de Jornalismo, Matheus José Maria, que registro na coluna dessa semana. Nascido em Campo Grande (MS), Sater tem 55 anos, e desde pequeno já tocava seu violão. Mas, sem conseguir ter muita afinidade com o instrumento e por ter sido criado sempre perto do mato, a música de viola ou moda de viola passou a fazer parte de sua vida. Quando adulto, descobriu a viola caipira, sua grande paixão. Sua família queria que ele trabalhasse, mas a música sempre falou mais alto. Morou no Rio de Janeiro e em São Paulo. Todavia, é no Pantanal, próximo da natureza, que se sente mais perto do paraíso.

Entrevista concedida a Matheus José Maria

Tocando em Frente é uma de suas músicas mais conhecidas, inclusive sendo uma das mais regravadas por diversos intérpretes. Qual a história dela? Foi composta por mim e pelo Renato Teixeira e não tem história, simplesmente veio, coisa de 2 minutos e já estava pronta. Estávamos conversando e então ele pegou a viola de brinquedo do filho e rapidamente a música estava pronta. Ela veio tão fácil que nem demos valor. Deixamos de lado mesmo. Aquilo que vem fácil a gente nunca dá valor, né? Aí, depois de uns três meses, pegamos nela para trabalhar mais um pouco e aí está.

E a que você atribui o sucesso dessa música, que ainda continua sendo contemporânea? Acho que ela fez sucesso porque é simples, toca as pessoas. E a mensagem dela é muito forte, verdadeira e atual.

Compositor ou cantor? Na verdade, eu comecei como músico e nunca pensei em ser cantor. Quando compunha, comecei a cantar as músicas para fazer as melodias como eu queria e então virei cantor. Tanto que se você ouvir meus primeiros álbuns poderá notar a diferença.

Trabalho de ator em novelas. Trabalhar em novelas também não foi muito planejado. Eles precisavam de um ator que interpretasse um peão violeiro e veio o convite.  Depois, eu fiz A História de Ana Raio e Zé Trovão e, como consequência desse trabalho, veio o convite para formar a dupla Pirilampo e Saracura com o Sérgio Reis, na novela O Rei do Gado.

E hoje, cantar ou atuar? Meu tempo de atuar já passou. Antigamente, eu podia largar tudo para fazer uma novela, mas hoje não dá mais tempo. Ano passado, eu recebi um convite para atuar em uma novela e até queria fazer, mas não deu pra conciliar as duas coisas – percebi que sempre vou escolher a música.

Além de ter sido escolhido por unanimidade para abrir o Free Jazz Festival em 1989, você foi o único brasileiro a tocar em Nashville, local considerado o berço do country. Como foi a experiência? O povo dá muita importância para essas coisas. Em Nashville, foi uma feira como essas que existem no Brasil, como feiras de países, e eu estava representando o Brasil. Não teve toda essa importância que dão, mas foi divertido.

Como você vê essas novas vertentes sertanejas e o sucesso que elas fazem atualmente, como o sertanejo universitário, por exemplo? Quando o artista quer lançar um novo produto começa a procurar um nome diferente para registrar seu produto. E se as pessoas gostarem, quem somos nós para julgar? Agora, quando o artista faz arte mesmo, não no sentido de ser arteiro, o trabalho vai embora. Hoje, eu escuto música de 300 anos de idade que ainda me emociona. Agora, se a música é feita para cobrir um espaço que há no momento e gerar dinheiro para o artista e para a gravadora, ela é soterrada pelo que vem logo atrás. Quando é um trabalho feito com consistência ele dura, mas novamente quem somos nós para julgar isso? É o tempo que vai dizer.

Mais de 30 anos de carreira e 10 discos solos, além de trabalhos com outros artistas. De todas as parcerias, quais as que mais te marcaram? Tenho dois grandes parceiros com quem gosto muito de trabalhar: Renato Teixeira e Paulo Simões. São duas pessoas inteligentes e grandes amigos. A gente se reúne para compor e se não sai nada a gente vai pescar ou bater papo.

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From → Diversidades

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